Author Archive

A importância do Behavioral Targeting

  

A primeira pesquisa que uma companhia precisa fazer para realizar uma ação de comunicação, qualquer que seja, é conhecer bem o público que quer atingir. Ok, até aí nenhuma novidade. E hoje, como sempre deveria ter sido, não adianta conhecer o público pela classe social, suas aspirações e alguns hábitos de consumo. Há de conhecê-lo sempre melhor.

Para otimizar cada vez mais o perfil do cliente, algumas empresas já adotaram, acertadamente, o uso das métricas de Behavioral Targeting (Comportamento do Público-Alvo ou Segmentação Comportamental). 

A mentalidade meio senso comum vista por aí é de que essa análise apresenta resultados se é usada somente na esfera digital, nas redes sociais, na publicidade online e em congêneres a partir da mensuração de web analytics. É um pensamento arcaico e inadequado, já que essa métrica é uma excelente ferramenta para os mais variados, como para todos os canais de comunicação. 

O B-Targeting mapeia em pequenos grupos – por isso também o nome de segmentação – o comportamento do consumidor e trata o resultado como fator necessário para qualquer tipo de ação.  É o passo inicial que guia um planejamento a partir de informações relevantes para uma ação ou mesmo a criação de um novo produto ou serviço. Começou como uma estratégia utilizada na publicidade online e desde então é uma ferramenta importante de mensurar a comunicação desenvolvida. Claro, e é o que todos querem, entender o consumidor. 

 

Está tudo no planejamento

Em muitos casos, projetos saem pela culatra não só pela ineficiência de planejamento como empresa/agência não entendem o comportamento do público com essa análise. Quer dizer, até há o estudo, mas o que fazer com ele se não sabe lapidá-lo ou trazê-lo a favor do seu cliente? A influência negativa de uma informação conquistada e não utilizada adequadamente é pior que a informação não conseguida. Isso sem dúvida vira uma catástrofe – derrota do planejamento e execução de uma ação ruim -, que toma forma no ROI – o Retorno sobre Investimento. 

Um problema grave, além do investimento que não retorna à companhia, é o que se perde em visibilidade e imagem da marca, do produto em si e da imagem corporativa. Enquanto isso, o concorrente apresenta um belo case. No B-Targeting não há o que negar. Foi criado pela e inicialmente para a mídia digital, mas é um filho da web que se transpõe em qualquer segmento comunicacional. 

É entender o que está entregando ao cliente. Isso reduz investimentos tortos e sem controle e desmistifica a comunicação online como ordem massiva aspirando somente o lucro.

Numa campanha online, a mensuração pode ser feita a partir de um cliente que desistiu de comprar algum produto ou serviço e porquê. É possível também analisar a quantidade de visualizações de um vídeo, e saber se o usuário tem interesse ou não em comprar o produto divulgado. O mesmo pode ser feito com uma ação de guerrilha ou uma ação de mobile marketing.

Numa campanha mobile é possível saber se um cliente viu sua mensagem de SMS e depois de ter checado o mesmo entrou, pelo celular, em algum site. No mundo digital, os KPIs apontam se o hotsite de um novo produto está dando certo ou não. No impresso, é preciso um alinhamento mais forte com os departamentos de atendimento (SAC), Marketing e Vendas. É com ações específicas e pesquisas de opinião que são produzidas grande parte das respostas - os mentores do melhor feedback

 

Pensar somente no digital é pensar pela metade

A ideia de uma atuação completa dessa mensuração é atuar ativamente em todo o mix de comunicação. 

A análise de B-Targeting sofre atualmente uma limitação muito grande. Está na agenda de grandes empresas, mas a parte que interessa são as métricas em redes sociais, o que não deixa de ser importante, mas é um complemento de tudo o que integra esse tipo de mensuração. E para os conteúdos impressos, por exemplo, é dado um outro nome: gestão de relacionamento. 

E o que diferencia uma coisa da outra? O B. é uma ferramenta mais completa e complexa, como um tabuleiro de xadrez. Há mais opções, mas ao mesmo tempo um movimento não pensado pode colocar uma marca facilmente em xeque. 

Na comunicação impressa, o Branded Content é a versão pura da customização da comunicação. Quer dizer, para saber as reais necessidades do consumidor, o branded é uma ferramenta poderosa. O conteúdo é guiado pelo comportamento do cliente. A abrangência e a mudança de toda a comunicação de uma publicação nesses moldes pode ser mensurada pelo B-Targeting. Como? Não existe uma fórmula, mas a partir de ações pontuais ou de médio ou longo prazo são um bom começo. Um começo melhor ainda é trabalhar com a convergência comunicacional, digital, mobile e offline. 

Bons exemplos práticos podem ser mencionados em nossos trabalhos, como por exemplo a necessidade de inserção da Lan Airlines em projetos culturais para divulgar a cultura chilena, abordando a Patagônia em conteúdos offline e um documentário nos canais onboard – o destino e o Deserto de Atacama são os lugares mais visitados do Chile, depois da capital Santiago e quase tão visitada quanto às cidades de Valparaíso e Viña del Mar. Outra necessidade foi a mudança de direção editorial da Check-in KLM, revista de bordo da KLM Brasil, que aproximou o público jovem que viajava à Europa, principalmente no verão, pela companhia. Além disso, a empresa foi a primeira a realizar uma parceria com a STB (Student Travel Bureau) e passou a oferecer passagens aéreas com os melhores descontos a estudantes com carteira da entidade. Cresceu a visibilidade no novo grupo e mais do que isso, estão abrindo portas para esses consumidores no futuro. 

A integração nunca foi tão completa. 

 

Funil de conversão: usuários e leitores em consumidores

O uso de B-Targeting é um processo contínuo e permanente. Gera um mapeamento de negócios, abre caminhos, ideias e abrangência para novos públicos. As respostas devem ser atualizadas porque obviamente comportamentos mudam. E mudam muito rápido. As atitudes também mudam em função das necessidades. O CRM tende a ser o braço direito essencial para uma boa análise. 

Assim como a Inteligência de Mercado, que sugere ou define as decisões a se tomar, o B-Targeting apresenta as informações filtradas e relevantes à empresa. Por isso, pode definir os rumos. Não somente pela tomada de decisões estratégicas e de negócios, mas para analisar perfis corretamente e direcionar recursos para um funil de conversão. Um funil que transforma usuários e leitores em consumidores da marca. 

Esse é o desafio. Na verdade, um dos. O maior deles é surpreender e ter o cliente sempre ao lado.

Tags: , , , , , , , , , , ,

No Comments


A luta de Yoani pela comunicação em Cuba

                                          

A blogueira, filologista e escritora cubana Yoani Sánchez não mede esforços para mostrar a realidade de Cuba. Criadora do blog Generación Y, Yoani é um exemplo de comunicação pela liberdade. Quando se fala em “comunicação”, a palavra “liberdade” está intrínseca. Não existe uma sem a outra.

Por isso o título deste texto é somente comunicação. A liberdade sempre morou dentro do contexto. E com o blog, Yoani vem tentando mostrar isso. Com toda a web monitorada na ilha, é uma pena que os cidadãos cubanos não leem seus textos, que recebe mais de 1 milhão de visitas por mês. Fora isso, a escritora é alvo de todo tipo de perseguição policial e moral.

Depois da entrevista nas páginas amarelas da Veja no começo do mês com o título “As três mentiras essenciais de Cuba“, Yoani recebeu da mídia uma atenção redobrada. Ela assistiu, ou melhor, tentou assistir de Havana (ela teria conseguido se não fosse pelo pífio sinal da web enviada ao país) a cerimônia do Prêmio Maria Moors Cabot que ganhou dos diretores da Universidade de Columbia, em Nova York na noite de 14 de outubro. O prêmio foi uma menção honrosa pela excelência jornalística por seus escritos no blog, criado há dois anos e meio.

A imigração cubana negou o pedido de visto para receber o prêmio pessoalmente nos EUA – veja vídeo acima postado em nosso blog. Há mais de um ano a cubana tenta o visto para a entrada nos EUA e toda vez esse direito é negado. E não é a primeira vez que isso acontece, nem a segunda. Ano passado ela recebeu o Prêmio Ortega y Gasset na Espanha e a proibição continuou.

Ela teve de se contentar em ver tudo pela web, inclusive em agradecer às pessoas pelo prêmio gravando um vídeo que postou na web. Foi o que ela fez para a cerimônia do Maria Moors Cabot desse ano.

 

“Os cidadãos cubanos são julgados por cores políticas”

Além do super acessado twitter, o youtube é uma ferramenta poderosa para Yoani mostrar o dia-a-dia de Cuba. Ainda com 3 vídeos publicados (até agora), no último deles Yoani gravou o diálogo com a imigração cubana que negou a saída do país sem apresentar nenhum motivo ou argumento. “Vocês tem um filtro ideológico, esse país é uma grande prisão com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária”, disse ao encarregado do atendimento na imigração, que apenas dizia: “No momento você não pode viajar”.

Incidentes lamentáveis como esse, que violam o direito constitucional de um cidadão da liberdade de ir e vir, dão assunto cada vez mais forte para a discussão no Generación Y. Yoani que é mãe de um menino de 14 anos, sempre questiona o futuro, seja em seus artigos, entrevistas ou no momento em que vociferou para o atendente da imigração: “meus netos não vão viver nessas condições”.

 

“Cada vez mais leem o meu blog e me cumprimentam na rua porque vocês provocaram isso”

Com as proibições, o autoritarismo e a vigilância policial a blogueira aborda os assuntos a partir do ponto de vista de uma cidadã cubana. Por um momento pessoal, por outro apresentando o coletivo. Poucos a leem, mas todos a conhecem, seja pela coragem, carisma e total (também profunda) inquietação. Compreensão à esse inconformismo é o mínimo para se falar.

Ela é a resposta para a pergunta: “Como é viver em Cuba?” O adjetivo “ilhado” nunca foi tão literal para quem mora lá e os que estão olhando de fora são os alienados da realidade.

Com a ajuda da rede wireless de grandes hotéis estrangeiros e o site desdecuba.com ser hospedado em um provedor na Alemanha, Yoani publica de uma vez (ou no máximo duas) os posts que vem escrevendo durante a semana. Isso dá a sensação de que ela está sempre online, mas lá isso é impossível. Dedica o blog aos conterrâneos nascidos na décadas de 70 e 80, que assim como ela – hoje tem 34 anos – são a Geração Y. Cresceram com as saídas ilegais, as escolas no campo, os bonequinhos russos e a frustração – como diz no começo dos posts.

No final do vídeo – postado acima – Yoani agradece aos orgãos de Segurança do Estado, ao Ministério do Interior e à Imigração que contribuíram ao fenômeno do blog, cada vez maior. Pela ironia, a escritora faz toda a referência ao seu livro, “Cuba Livre”, que traz um sonho de redenção mais realista que há: deixar de ser o blog “denúncia” para ser um blog livre. 

Do Brasil, estão tentando trazê-la para o Rio para o lançamento de “De Cuba com carinho”, um livro-coletânea de textos próprios. A Contexto, editora da coletânea, criou um baixo-assinado para apelar a liberação da escritora de vir ao país. A editora lembra do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU de 1966, ao qual Brasil e Cuba fazem parte. É um tratado que firma o compromisso de todos os países envolvidos de não colocar obstáculos a viagens ao exterior de seus cidadãos. E desde quando Cuba respeita pactos da ONU?

“A ilha roubada – Yoani, a blogueira que abalou Cuba”, é o primeiro livro sobre Yoani lançado no Brasil, publicado esse ano pela Editora Barcarolla. Escrito pelo jornalista Sandro Vaia, o livro concentra mais de 20 horas de conversa com a cubana e o marido, o jornalista Reinaldo Escobar. Sandro afirma que não consegue enviar o livro para a personagem central de sua obra. “Cuba é uma cerca com barreira intransponível”, diz o escritor.

"Generación Y", o blog de Yoani

Generación Y: a comunicação de Cuba sem rabo preso

 

Generación Y é um veículo sem rabo preso com o governo cubano. Aliás, sem rabo preso com ninguém.

Yoani está decidida a mudar o futuro de Cuba. Desmente verdades criadas pela ditadura de Raúl e Fidel, como a qualidade da saúde, o esporte e a educação. “A questão principal hoje não é a taxa de alfabetização, e sim o que vamos ler depois que aprendemos”, disse ela à Veja, que ouviu falar pela primeira vez sobre a queda do muro de Berlim 10 anos após o fato, em 1999, por meio de uma fita de videocassete clandestina.

 

Atualização em 22/10/09:

Hoje no twitter, Yoani finalmente postou a confirmação de que recebeu o livro de “De Cuba com Carinho”, coletânea de textos publicada no Brasil pela Editora Contexto.  Ainda não se sabe como o livro chegou até ela, mas é quase certo que teve um dedo grande do Itamaraty.

yoanisanchez diz: #yoani Recién ha llegado a mis manos un ejemplar de mi libro “De Cuba, com carinho” que se esta presentando en Brasil. Estoy muy emocionada. (about 1 hour ago from txt)

Tags: , , , , , , , ,

No Comments


A abordagem de uma publicação para dois públicos bem diferentes

thinkMoney

Leia a revista na versão digital

 

Li recentemente a versão impressa da thinkMoney, publicação da thinkorswim, empresa de corretagem em ações de Chicago (EUA). A revista ganhou ano passado o prêmio da Custom Publishing Council como “Best New Magazine” e quem cuida é o editor Kevin Lund da T3 Publishing.

Inicialmente a ideia de fazer uma revista nem passou pela cabeça de Lund e do diretor e fundador da think, Scott Sheridan. A estratégia era outra, a qual nunca colocaram em prática. Eles precisavam de uma mídia efetiva para colocar o toque pessoal super conhecido de Sheridan nos serviços e produtos sem que os clientes sentissem que algo havia mudado. Ao mesmo tempo, eles também precisavam de um caminho para entrar em novas linhas de produtos, construindo à marca uma igualdade sem ir aos canais tradicionais de marketing.

Mas eles tinham um grande problema: os dois grandes públicos da think são completamente diferentes. De um lado estão investidores sedentos por mil números, equações e projeções para daqui 20 anos e do outro estão os comerciantes de varejo, que veem tudo, em sua maioria, a médio prazo e pisam no presente com os dois pés.

Segmentação da segmentação

Para contemporizar a situação foram criados elementos de branding próprios da think, dando o tom à identidade da empresa. Para chegar ao alvo, qualquer veículo precisa falar a língua do cliente – a linguagem é essencial e não pode ser confundida com uma reportagem ”verborragicamente” financeira para os comerciantes ou muito “prática & realidade” para os investidores. A estratégia foi o equilíbrio. Dosar e não pesar nenhum dos dois conteúdos para um público se interessar pelo assunto do outro. Tamanha a sutileza, não dá para identificar o que foi pensado para cada target.

Os comerciantes, por exemplo, não estão interessados em fundos mútuos ou em trazer 10% de retorno em um ano. O termo “juros compostos” não está no vocabulário deles. A média, em 2009, que uma pessoa perde em investimento na bolsa nos EUA é de U$ 5 mil. Para um investidor, a perda automaticamente cancela as férias da família. Para o comerciante não é assim, isso pode ser o que ele recebe em um dia ou uma quinzena de trabalho e há sempre o amanhã. É uma visão mais otimista, por isso a abordagem e linguagem é outra. O projeto gráfico da revista é singular. Honesto, sóbrio e moderno pela produção fotográfica. Não é muito inventivo, mas a criatividade está lá.

Uma decisão que a empresa e agência tomaram em conjunto foi de ter muito cuidado para a dosagem não cair naturalmente para um lado só. A interação com o leitor é um fator importante na revista porque é o termômetro dessa resposta.

Essa é a segmentação da segmentação da comunicação. E é isso que trouxe resultados significativos para a thinkorswim.

Ótimos resultados

A informação deve vir em um momento oportuno. Alguns vivem o momento e outros o futuro, então o conteúdo precisa bater com essa mentalidade. Segundo uma pesquisa com leitores, mais de 90% dos clientes usou na prática a informação da thinkMoney pelo menos uma vez e uma parcela de cada um dos públicos colocou mais receita diretamente na empresa de Sheridan. Esse foi o melhor dos mundos para todos.

A própria revista se tornou a marca – alguns leitores enviaram emails com confissões bem humoradas para o editor. Um deles disse que espera o carteiro chegar no dia do recebimeno da revista e o outro prometeu trocar seu casamento por uma assinatura vitalícia da publicação. São casos extremos, mas dão uma ideia do tipo de buzz que Lund criou.

Alguns dados foram consultados segundo artigo Print Custom Magazines Still Work: Q&A with financial custom publisher T3 Publishing

Tags: , ,

No Comments


Falando a mesma língua

Para transformar uma publicação em duas ou mais línguas diferentes, uma tradução livre não basta para expressar o que foi originalmente escrito. É preciso adaptar textos. Quando falamos em tradução, falamos em adaptação. Em alguns títulos, redigir em português e traduzir para o inglês, não se trata de uma mera troca de palavras. É criada uma nova publicação.

Além de uma interpretação semântica e de estruturação de frases, a adaptação é colocar no texto as diferenças e os momentos culturais dos países nativos a esses idiomas. Esse nível muitas vezes não é levado como prova de qualidade de uma revista bicultural. O que é um erro.

Lendo o site Sparksheet, encontrei um artigo muito claro sobre o assunto escrito pela Ilana Weitzman, editora-chefe da enRoute, revista de bordo da companhia aérea Air Canada, que adapta a versão em inglês da publicação para o francês. Ilana cita no texto a ferramenta ROE, o Retorno sobre Engajamento, que analisa o nível de engajamento de seus leitores-passageiros em vários canais de comunicação. A estratégia inclui desde o SAC da companhia até o monitoramento de como a revista é vista e falada nos meios sociais digitais.

 

Leia o artigo:

 O engajamento de um leitor começa com um conteúdo relevante. Se ele já percebeu que o conteúdo é uma simples tradução, talvez a publicação tenha perdido este leitor para sempre. Uma boa tradução vai além do que encontrar apenas as palavras certas – é um texto adaptado para a realidade cultural dos passageiros. Feito isso da maneira certa, o engajamento do leitor sobe aos céus, assim como o seu ROE (Return On Engagement Retorno Sobre Engajamento). 

Continue lendo. Clique no documento abaixo.

Tags: , , ,

No Comments


Do u love your editorial?

iloveed

iloveed

::click it::

Tags: , , , ,

No Comments



SetPageWidth