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A abordagem de uma publicação para dois públicos bem diferentes

thinkMoney

Leia a revista na versão digital

 

Li recentemente a versão impressa da thinkMoney, publicação da thinkorswim, empresa de corretagem em ações de Chicago (EUA). A revista ganhou ano passado o prêmio da Custom Publishing Council como “Best New Magazine” e quem cuida é o editor Kevin Lund da T3 Publishing.

Inicialmente a ideia de fazer uma revista nem passou pela cabeça de Lund e do diretor e fundador da think, Scott Sheridan. A estratégia era outra, a qual nunca colocaram em prática. Eles precisavam de uma mídia efetiva para colocar o toque pessoal super conhecido de Sheridan nos serviços e produtos sem que os clientes sentissem que algo havia mudado. Ao mesmo tempo, eles também precisavam de um caminho para entrar em novas linhas de produtos, construindo à marca uma igualdade sem ir aos canais tradicionais de marketing.

Mas eles tinham um grande problema: os dois grandes públicos da think são completamente diferentes. De um lado estão investidores sedentos por mil números, equações e projeções para daqui 20 anos e do outro estão os comerciantes de varejo, que veem tudo, em sua maioria, a médio prazo e pisam no presente com os dois pés.

Segmentação da segmentação

Para contemporizar a situação foram criados elementos de branding próprios da think, dando o tom à identidade da empresa. Para chegar ao alvo, qualquer veículo precisa falar a língua do cliente – a linguagem é essencial e não pode ser confundida com uma reportagem ”verborragicamente” financeira para os comerciantes ou muito “prática & realidade” para os investidores. A estratégia foi o equilíbrio. Dosar e não pesar nenhum dos dois conteúdos para um público se interessar pelo assunto do outro. Tamanha a sutileza, não dá para identificar o que foi pensado para cada target.

Os comerciantes, por exemplo, não estão interessados em fundos mútuos ou em trazer 10% de retorno em um ano. O termo “juros compostos” não está no vocabulário deles. A média, em 2009, que uma pessoa perde em investimento na bolsa nos EUA é de U$ 5 mil. Para um investidor, a perda automaticamente cancela as férias da família. Para o comerciante não é assim, isso pode ser o que ele recebe em um dia ou uma quinzena de trabalho e há sempre o amanhã. É uma visão mais otimista, por isso a abordagem e linguagem é outra. O projeto gráfico da revista é singular. Honesto, sóbrio e moderno pela produção fotográfica. Não é muito inventivo, mas a criatividade está lá.

Uma decisão que a empresa e agência tomaram em conjunto foi de ter muito cuidado para a dosagem não cair naturalmente para um lado só. A interação com o leitor é um fator importante na revista porque é o termômetro dessa resposta.

Essa é a segmentação da segmentação da comunicação. E é isso que trouxe resultados significativos para a thinkorswim.

Ótimos resultados

A informação deve vir em um momento oportuno. Alguns vivem o momento e outros o futuro, então o conteúdo precisa bater com essa mentalidade. Segundo uma pesquisa com leitores, mais de 90% dos clientes usou na prática a informação da thinkMoney pelo menos uma vez e uma parcela de cada um dos públicos colocou mais receita diretamente na empresa de Sheridan. Esse foi o melhor dos mundos para todos.

A própria revista se tornou a marca – alguns leitores enviaram emails com confissões bem humoradas para o editor. Um deles disse que espera o carteiro chegar no dia do recebimeno da revista e o outro prometeu trocar seu casamento por uma assinatura vitalícia da publicação. São casos extremos, mas dão uma ideia do tipo de buzz que Lund criou.

Alguns dados foram consultados segundo artigo Print Custom Magazines Still Work: Q&A with financial custom publisher T3 Publishing

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