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Compartilhe e transforme: a arquitetura da colaboração

 

 

 

Uma breve análise

Estamos estudando há algum tempo o trabalho de colaboração interna em médias e grandes empresas. Nossa pergunta-chave é “Como se aproximar cada vez mais do tema e apresentar um projeto diferenciado ao cliente?” Procuramos a resposta primeiro em uma base teórica com o apoio de diversos autores, desde o belga Derrick Kerckhove e o francês Pierre Lévy, ambos já comentados por aqui. Tivemos uma boa noção, mas ainda não completa do que é um trabalho integralmente eficiente de sociabilidade corporativa.

Em uma oportunidade enviei um artigo compacto com parte do estudo ao TerraForum Consultores e vencemos o Desafio de Artigos, oferecido pelo evento Gestão 2.0, que ocorreu no último dia 29.

Salvo algumas alterações, retiradas as referências bibliográficas que contemplam um artigo propriamente mais acadêmico, grande parte do conteúdo está abaixo, um resultado de duas pesquisas, teórica e de campo.

Aos poucos esse conteúdo será ampliado, aprimorado e acrescido de novidades que somente vamos perceber ao longo do tempo, na real, na rotina dos colaboradores de cada companhia.

 

Além de qualquer modismo

A construção da colaboração entre usuários na web é algo amplamente comentado e discutir sobre isso hoje parece até um clichê. O assunto se estendeu ao mundo corporativo e a conversa gira em torno dos benefícios que a gestão colaborativa traz aos empregados.

Sem dúvida a inovação já está aí, na procura do que é melhor para a interação entre funcionários e chefes, a hierarquia dissipada e a conquista do espaço democrático de conhecimento. Não existe um relacionamento sem a troca, seja de informação ou novos dados que intervém na realidade das pessoas.

A pluralização do virtual, ou seja, a web que funciona para todos, remitificou a cultura da sociedade e está além de qualquer modismo.

Para o belga e estudioso mcluhaniano Derrick Derckhove, “essa pluralização citada é um ‘Efeito Borboleta’ de certa maneira. A mínima ação que você faz pode mudar toda a estrutura do contexto”. E para quem vive a comunicação, é outra forma de ver a sociedade e entender como será esse diálogo daqui 20 ou 30 anos.

 

Web 2.0 e a nova forma social: um olhar antropológico

Como consequência da evolução, o crowdsourcing – ou o todos podem criar – tornou-se uma estrutura tão importante que não levá-lo ao espaço corporativo seria como uma omissão irresponsável de caráter social.

E cada vez mais para se ter atenção na web, tamanha a quantidade de informação trafegada, um indivíduo ou uma empresa precisa ter pouca habilidade em Design ou em programas de convergência entre áudio e vídeo, mas por outro lado precisa produzir conteúdos relevantes em um tempo bem limitado. Como todos falam ou escrevem uns aos outros, em alguns casos o rumo da comunicação corporativa não está mais na mão do comunicador.

A divisão do conhecimento, para o filósofo francês Pierre Lévy, é o compartilhar, talvez a maior vantagem de toda a troca de informação na web. O autor citou a democratização de conteúdo e encontrou então um problema: a questão da língua. Apesar do mundo hiperconectado, não compreender um idioma, qualquer que seja, pode dificultar toda a conexão. A interligação existe, mas não há a uniformidade do entendimento.

E agora, é tornar a inteligência coletiva capaz de observar-se, codificada em som, textos, vídeo e produção de dados, tudo o que compreende o mundo digital. É o dever do funcionamento da coletividade, a favor do conhecimento humano.

 

As companhias sob diferentes ângulos de relacionamento

Novos humanos, novos parâmetros – uma frase que a cada dia faz mais sentido. Não é de se surpreender que a velocidade de resposta dos stakeholders venha com uma velocidade incrível e é preciso sempre estar bem preparado.

Qualquer pequeno deslize pode ser fatal. Canais sociais, como Blogs, Twitter, Facebook/Orkut e o Formspring, que hoje serve muito bem como uma seção de FAQ ou Perguntas e Respostas, são fontes diretas de comunicação com o público. Mas a reiteração é inevitável: há de saber usá-las.

Desde o monitoramento digital para avaliação de dados até as medidas de gerenciamento de crise, todos refletem novas formas métricas. Fora outros canais abertos com a comunidade, que facilitam esse relacionamento.

Todos querem dar uma opinião. É um lado democrático que aparece no meio dos negócios e revoluciona pela modernidade e transformação na comunicação.

 

A Intranet Social

Como forma de interação plena na gestão 2.0 de uma organização está a criação de uma Intranet Conceito, com base colaborativa, com recursos e funcionalidades sociais que agregam produtividade e motivação aos colaboradores – uma forma de integração global, seja qual for o porte da corporação.

A receptividade de algumas empresas com redes customizáveis está sendo bem aceita. Companhias como Ikea, Accenture, Sodexo, Procter & Gamble e o HSBC já adotaram a nova rede interna como mudanças irreversíveis em suas culturas organizacionais. A transformação na comunicação interna exige mais do lado comportamental da empresa e do colaborador e vai além de qualquer relação de trabalho, estabelece um novo relacionamento.

As redes mais completas conhecidas possibilitam que cada usuário tenha o seu próprio profile e que possam inserir seus interesses com a possibilidade de se integrar com colegas de outras áreas e países, somente, por exemplo, pelos interesses em filmes e hobbies.

A produtividade é o primeiro benefício calculado. É o que faz a comunicação ser mais acelerada e direcional. Claro que cada rede muda de uma companhia para a outra, mas todas são iguais por tratar o conteúdo gerado por seus talentos como uma abertura democrática.

É bom por ora deixar alguns números e porcentagens de lado, sem pensar o quanto pode economizar uma empresa com uma rede de colaboração inteligente (e a economia não é pouca). O interesse é pensar no humano – seus interesses, relacionamentos, prazos, metas – e na pessoa que tem seu trabalho e está disponível a crescer, errar e aprender.

Cada corporação também tem o seu modo próprio de adquirir conhecimento e promover a troca em um patamar mundialmente abrangente. O ambiente social é o caminho mais firme e seguro, já que a comunicação consegue ser muito mais ágil e no caso das multinacionais, o idioma não é problema. Pelo recurso de tradução real-time, as áreas dispostas em diferentes nacionalidades acabam falando a mesma língua.

Mas ainda assim, a socialização com o novo ainda é um grande obstáculo para as empresas. Os executivos precisam ter uma visão direta dessa demanda da gestão 2.0 no corporativo. Tudo bem que é preciso trabalhar o bom senso dos colaboradores na rede, mas de que adianta não fazê-lo antecedendo o despreparo deles?

 

O Wiki e o mundo corporativo

Além de ser uma fonte de conhecimento geral, é uma fonte de conhecimento da biografia da corporação. É muito possível apresentar para um novo colaborador a vida completa da companhia pelo Wiki, outro recurso inserido na Intranet Conceito. Além disso, todos podem escrever um pouco sobre o seu próprio caminho de carreira lá dentro e vão, aos poucos, (re)escrevendo a história.

 

Engajamento tecnológico como forma de reeducação

Apresentar aos colaboradores uma nova forma de ver e se comunicar requer tempo e sim, muita paciência. É um processo a longo prazo que reeduca a comunicação.

A campanha de engajamento, com cursos ou vídeos explicativos, é a primeira atitude que a companhia toma. A organização nas ideias é a segunda ação, até porque a rede em si incentiva a explosão de novas opiniões e traz uma desorganização positiva.

Exemplificando o diálogo, o gerente da área “X” pode deixar uma mensagem formal no profile do seu colega da área “Y” sobre um relatório e postar um texto bem humorado sobre inovação em seu blog. Isso ao mesmo tempo em que subiu um vídeo de um café da manhã com gerentes ou uma conversa com o presidente da empresa. Esses textos e vídeo ficarão acessíveis aos usuários. Quem perdeu o conteúdo relevante do encontro poderá ter acesso por essa “cobertura”.

Pelo informalismo do que se propõe a rede, não precisa ser um grande entendedor para saber lidar com ela. Além da intuição, a funcionalidade é feita sob medida e ao trabalho árduo de análise e pesquisa de um bom designer de user experience para saber as necessidades comunicacionais, além de facilitar e aperfeiçoar o uso na Intranet.

Fora as funcionalidades apresentadas, o colaborador, como toda a companhia, tem acesso a um rico complexo de trabalho que une motivação, integração, conhecimento e interatividade. Tudo em suas mãos.

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Para ler o artigo, como publicado no site da Consultoria, leia aqui.

Na biblioteca do TerraForum há ainda outros ótimos artigos sobre o assunto, acesse.

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Ciclo Era Digital com Pierre Lévy

Piérre Levy

Estivemos no evento Ciclo Era Digital no Sesc Santana dia 21 de agosto, com a presença do filósofo tunisiano Piérre Levy, Professor da Cátedra de Inteligência Coletiva da Universidade de Ottawa, no Canadá. Como um dos mais destacados pesquisadores sobre os impactos das novas tecnologias, junto ao estudioso estava o italiano Massimo Di Felice, professor da ECA/USP e coordenador do centro de pesquisa ATOPOS de novas tecnologias para comunicação. O centro de pesquisa é idealizador do evento junto ao Sesc SP e à Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Mediando o encontro estava Juliana Cutolo, também pesquisadora da ECA/USP.

O tema do evento, A sociedade em rede e as transformações do mundo contemporâneo, trouxe à discussão as consequências reais que as novas tecnologias influenciam a vida das pessoas e de que forma elas estão se transformando. Um ponto importante que Lévy trouxe é a divisão do conhecimento, o compartilhar, talvez a maior vantagem de toda a troca de informação no ciberespaço.

O interessante é que Lévy apresentou um pensamento de como essa troca de informação se desenvolve, na visão de um filósofo. Começa com uma percepção subjetiva do indivíduo que se inicia no mundo das ideias e dos conceitos e se transforma na conexão das pessoas. E hoje, o que está mais em voga nessas conexões são as redes sociais. 

Web 2.0 – Computador Social

O filósofo citou a web 2.0 como forma de abordar a democratização de conteúdo e encontrou então um problema: a questão da língua. Apesar do mundo hiperconectado, não compreender um idioma, qualquer que seja, pode dificultar toda a hiperconexão. É até engraçado, já que nosso post abaixo (“Falando a mesma língua“) relata o diálogo de uma versão com duas línguas para um conteúdo de revista, o que dá mais calor à discussão da importância de se tratar uma adaptação de idiomas. A interligação existe, mas não existe uniformização do entendimento.

A adoção de padrões, como arquivos em JPEG., PDF, vídeos em MPEG, tornaram-se universais.  E agora, é tornar a inteligência coletiva capaz de observar-se, codificada em som, textos, vídeo e produção de dados. Tudo o que compreende o mundo digital deve ser o funcionamento da inteligência coletiva do futuro, a favor do conhecimento humano. 

Haverá ainda outros encontros. O próximo será dia 1º/09 com o tema A Inteligência Conectiva e a Era das Tags e contará com a presença de Derrick de Kerckhove e do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil. Kerckhove é belga, Doutor em Sociologia da Arte e em Língua e Literatura Francesa. Toda a série de eventos do Ciclo Era Digital é organizado pela Sator Eventos, parceira da Visionello em Planejamento de Eventos.

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